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quinta-feira, 12 de março de 2009

Richard Bona, multiinstrumentista


Considerado como um dos maiores contrabaixistas do mundo, e não é exagero de fã, Richard Bona nasceu na pequena vila de Minta, em Camarões, seu crescimento, musicamente falando, deu-se em uma casa cheia de música. O avô de Richard era um percussionista e cantor relativamente conhecido e sua mãe cantava de forma amadora em casa e na Igreja. Foi com ela e suas quatro irmãs que Bona começou a cantar ao quatro anos de idade nas missas de domingo.

Segundo história que conta, que quando bebê Bona costumava chorar muito sem qualquer motivo aparente, até que um dia algum músico amigo da família passou por lá com trazendo um balafon (uma espécie de xilofone mais rudimentar usado originalmente por tribos africanas). Ao começar a tocar, o menino que não parava por nada de chorar, pôs-se a escutar o som. Quando estava um pouco maior, começou a juntar ripas de madeira de diversos tamanhos construindo seu próprio balafon.

E assim prosseguiu com outros diversos instrumentos. Como não exisia uma loja de instrumentos em sua cidade, o menino passou a construir uma infinidade de flautas de madeira, balafons e até um violão de seis cordas. Para arrumar as cordas do violão, teve de passar algumas horas rodeando a porta de uma bicicletaria, e quando o dono seu distraía, roubava o cabo de freio tirado de alguma bicicleta.

Os dons musicais do Richard Bona logo viraram notícia na pequena cidade, e ele passou a ser um dos mais requisitados para cantar em casamentos e batizados. Mas Richard sentia que aquele lugar era pequeno demais ele e resolveu aventurar-se na cidade grande. Com onze anos de idade partiu para Douala para morar com seu pai, conseguindo imediatamente convites para tocar. Trocou seu violão caseiro por um alugado e passou a tocar regularmente como profissional.

A mudança na vida de Richard Bona deu-se definitivamente em 1980 quando um francês que acabara de abrir um hotel em sua cidade ouviu diversos elogios sobre o jovem músico que alguns dias depois contratava para montar e dirigir uma banda. Doido por jazz, o dono do hotel mostrou para Bona cerca 500 lps de jazz enfiados em caixas e disse: “aprenda essas músicas”. O hotel providenciava os instrumentos e Bona passou dias aprendendo a tocar os diversos instrumentos
e a ler e escrever música. O primeiro disco que Bona puxou aleatoriamente de uma das caixas foi um lp do extraordinário Jaco Pastorious que continha a faixa “Portrait of Tracy”. “Antes de ouvir o Jaco, jamais havia considerado tocar contrabaixo”, relembra o músico que passou a fazê-lo imediatamente.

Quando seu pai faleceu Bona decidiu dar um passo maior e partiu para Paris. Vestindo uma bermuda e uma camisa leve, chegou à Paris em pleno inverno. O músico recorda: “Quando abriu a porta do avião, havia neve por todos os lados, eu que nem sequer conhecia inverno, batendo o queixo, quis voltar imediatamente para casa”. Mas um comissário de bordo deu-lhe seu agasalho e o convenceu a não desistir de tentar a sorte naquela cidade. Dentro de dois meses já estava
trabalhando com importantes músicos, franceses e africanos, como Didier Lockwood e Marc Ducret (fera), Manu Dibango e Salif Keita.

Fixou residência em Paris por sete anos até que recebeu um convite para uma visita de quatro dias a Nova York e acabou ficando dois meses. No final do mesmo ano, mudou-se definitivamente para lá. Ao chegar ligou para Joe Zawinul com quem havia tocado anos antes em Paris e esse o convidou para participar da gravação e a turnê de seu disco My People.

Multiinstrumentista, compositor, uma fera no contrabaixo e possuidor de uma voz suave que mescla nas devidas proporções docura com uma ponta de nostalgia, desde sua chegar à Nova York em 1995, Richar Bona já tocou, gravou ou excursionou com: os guitarristas Larry Coryell, Mike Stern e Pat Metheny, pianistas Joe Zawinul, Herbie Hancock, Chick Corea,Jacky Terrasson e Bob James, os saxofonistas Sadao Watanabe, Branford Marsalis e David Sanborn, a
violinista Regina Carter, o vocalista Bobby McFerrin e o trompetista Randy Brecker.

Richard Bona - Bass Solo


Richard Bona Stockholm Jazz Festival