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domingo, 3 de agosto de 2008

Diana Pequeno, a voz romântica que vem do interior da Bahia

Começo minha manhã de domingo selecionando algumas das perolas do cancioneiro alternativo brasileiro e um trabalho que me chamou a atenção foi uma canção de Diana Pequeno, enviada pela minha amiga Cida Fonseca. A música é Campo Branco, composta por Elomar Figueira Melo, faz parte do disco "Eterno como Areia", uma belíssima canção.

Quem é Diana Pequeno


Quase pouca coisa existe sobre a cantora (injustiça), apenas que ela nasceu no interior da Bahia (não sei qual cidade). Diana Pequeno começou a invadir as rádios nacionais a partir de fins dos anos 70 com seu timbre muito pessoal, entoando canções regionais - com um dosagens de ritmo country - e até algumas versões como Blowin' in the Wind (Bob Dylan). Recentemente ela voltou ao mercado fonográfico na série 2 em 1 da BMG, que traz o primeiro (1978) e o último álbum (O Mistério das Estrelas, 1985, e não 1984 como está escrito no encarte) da cantora na companhia. Quem conhece Diana e esperada um continuísmo de seu trabalho, engaou-se, os trabalhos lançados são álbuns radicalmente diferentes. Quem gosta de sons como o do Oficina Instrumental Uakti recomendo ouvir o disco de estréia de Diana para ver como os arranjos são extremamente delicados. Nem todas as 12 faixas são dignas de aplausos. Mas há algumas muito boas, que particularmente caíram no meu gosto, como Canção de Fogo (Candido de Jesus Sila), Assim Preto e Brasa Branca (Jorge Alfredo e Antonio Risério), a excelente gravação de Cuitelinho (Adaptação de Paulo Vanzolini e A. Xando) e até a curiosa versão da referida canção de Bob Dylan, Blowin' in the Wind, entoada mezzo em inglês, mezzo em português. Ela canta também em espanhol as engajadas Milonga de Andar Lejos (Daniel Viglietti) e Los Caminos (Pablo Milanez).

Mas não fiquem muito admirados, pois a partir da décima-quarta faixa, o aparato sonoro, repertório e intenção mudam radicalmente para surpresa de todos. Trata-se de seu último álbum na RCA (atual BMG), O Mistério das Estrelas, é uma desesperada tentativa da gravadora de levar a cantora a caminhos mais pops e ecléticos, com direito àqueles arranjos típicos de meados dos anos 80, com solos de saxofone e os teclados de Lincoln Olivetti. Não deu muito certo. Mesmo assim, nada que comprometa o trabalho dela, a o que vemos é uma amostragem mais amadurecida. Suas boas releituras de Coleção (Cassiano e Paulo Zdanowski) e a versão de Ronaldo Bastos para You've Got a Friend (Serei Teu Bem), de Carole King, sucesso de James Taylor, chegaram a ser executadas em rádio. Outros ótimos momentos são made in Minas: Canção de Acordar (Flávio Venturini e V. H. Santos) e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (Lô e Márcio Borges). Entre as animadas, Mensageiro d'Alegria (Gerônimo) mostra que a cantora também rendia na linha mais tropical.

Discografia

* Diana Pequeno (1978)
* Eterno como areia (Josias Sobrinho, 1979) **
* Sinal de amor (1981)
* Sentimento meu (1982)
* O mistério das estrelas (1985)
* Mistérios (1989)
* Cantigas (2002)


** A faixa que abre o álbum "Eterno como areia", de 1979. Foi a música que mais tocou em rádio, o que se chamaria de "carro-chefe". Mas o álbum é todo bonito.

Fotos alheias ao encarte foram tiradas em um orquidário em Teresópolis. Josias Sobrinho é um compositor e cantor maranhense. A "fortaleza" que ele se refere não é a capital do Ceará. O Engenho de Flores era uma propriedade de alguém da família do compositor, onde a escravidão reinava. E a música fala sobre isso. "Agora eu quero ver, se coro de gente é prá queimar".

Confira um trabalho feito em vídeo: Faixa 3, lado A do disco de Diana "Eterno como Areia". Faixa 2, lado B, Disco 1, do duplo "Na quadrada das águas perdidas", de Elomar.



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