Ser baixista é sonhar com som de preto, com raiz africana, é ouvir percussão de rua e se emocionar.
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Baby Lee, a nova geração do rock curitibano

Um número bem significativo de mulheres vem conseguindo ganhar projeção em bandas de rock no Brasil.

Quem ainda mantém aquela imagem de um grupo de garotas com uma banda de rock em uma garagem no fundo de quintal, com vozes estridentes, brincando de imitar pop star, já era. Hoje, as beldades assumiram o posto com a maior seriedade que se possa imaginar. Elas já não querem ser apenas back vocal, querem tocar guitarras, contrabaixos e baterias. As meninas sobem ao palco sabendo o que estão fazendo e fazendo bem feito, dando uma caprichadinha na vaidade feminina e criando performance características delas.

Antes, as garotas formavam uma banda e ficavam esperando a boa vontade de irmãos, namorados, primos, para fazer aquela a tão sonhada apresentações, sob os ohares não muito bem vistos da sociedade machista. Com o desenvolvimento da Internet ficou mais fãcil divulgar os trabalhos, servindo como um grande canal de divulgação, uma coisa díficil de se imaginar no passado. Que o digam as meninas da banda Baby Lee, de Curitiba, elas aproveitaram a porta da fama e mostraram que não vieram para brincadeira. Segundo as garotas, "A banda Baby Lee tem como principal objetivo dar ênfase as músicas próprias, no melhor estilo Rock'n Roll, mostrando assim, seu jeito feminino de ser! As garotas lançaram suas músicas no Palco MP3 (http://http//palcomp3.cifraclub.terra.com.br/bandababylee/ ). Foi o bastante para receberem inúmeros convites para shows.

O fato de ser mulheres, bonitas, charmosas, talvez tenha sido o maior trunfo que elas podíam ter em mãos. Além de fazerem shows com freqüência, participarem de festivais, a banda já recebeu até convites para um programa de televisão, é o Toda Tarde, da Transamérica TV, no dia 11 de fevereiro, às 16h.

Definitivamente Baby Lee é uma banda de futuro promissor.

Mulheres no Rock

Isa, guitarrista da banda Baby Lee, de Curitiba


Publicado no www.whiplash.net - o mais completo site de rock e metal

Com características libertárias e de contestação ao sistema pré-estabelecido, o Rock se firmou ao longo das décadas com características essencialmente machistas. Apesar de toda a agitação social dos anos 60 em torno da igualdade de condições entre homens e mulheres, elas aparecem quase sempre relegadas a um segundo plano.

No Heavy Metal, estas diferenças são mais evidentes e as bandas femininas continuam sendo minoria. Essa presença só é mais democrática entre os músicos da era Punk, em grupos como X-Rays Specs, Siouxsie & The Banshees, Slits, X, Exene Cervenka e Poly Styrene.

Janis Joplin foi pioneira ao quebrar as barreiras do preconceito durante os anos dourados. Com uma voz poderosa e versões muito próximas ao blues, a cantora personificou a trinca sexo, drogas e rock and roll até sua prematura morte, em 1970.

Cabe à Suzi Quatro, no entanto, a prerrogativa de ser a primeira roqueira com atitude e sonoridade verdadeiramente metálicas. Formou sua primeira banda com as irmãs, aos 15 anos. Já como artista solo, lança o single, "Rolling Stone" (72), mas a explosão só viria no ano seguinte, com "Can the Can", e os clássicos Devil Gate Drive e a insuperável 48 Crash.

Idealizado pelo empresário e produtor Kim Fowley, o grupo The Runaways surgiu em 75, trazendo graça e sensualidade ao universo dos headbangers. Apesar da proposta visivelmente comercial, as garotas conseguiram fugir do estigma de banda manufaturada.

A fama do grupo começou a se firmar em apresentações nos clubes de Los Angeles. No ano seguinte, sai o primeiro álbum, "Runaways", que trazia Joan Jett (vocais e guitarras), Sandy West (bateria), Cherie Currie (vocais), Lita Ford (lead guitar) e Jackie Fox (baixo).

A partir de "Queens of Noise" (77), segundo álbum da banda, começam as brigas internas. A rhythm guitar Joan Jett começa a se sobressair também como cantora e, após a saída de Currie, assume definitivamente os vocais. Começam as mudanças de formação. Ao todo, três baixistas passaram pelo grupo: Jackie Fox, Laurie McCallister e Vicki Blue.

A turnê japonesa agrava a crise interna, mas não impede o lançamento de um disco ao vivo. "And Now... The Runaways", de 78, marca o declínio da banda, que lançaria ainda "Flaming Schools" (80).

Com o fim do Runaways, Jett partiu para Londres, onde ensaiou uma parceria com os ex-Sex Pistols Steve Jones e Paul Cook, o fracassado compacto "You Don't Own Me". De volta à Califórnia, lança "Bad Reputation". Em 82, I Love Rock And Roll chega ao topo das paradas americanas. Os álbuns seguintes tem pouca repercussão e nem mesmo uma copilação de covers gravada em 90, intitulada "Hit List", conseguiu repetir o sucesso.

Há cerca de quatro anos, Jett se uniu ao The Gist, num tributo ao vocalista e líder da banda, Mia Zapata, raptado e morto em Seattle. Além de ser uma das poucas em atividade, preconizou o movimento Riot Grrrls, de bandas raivosas encabeçadas por mulheres. A identificação com a nova geração é tanta que representantes desse estilo - L7, Bikini Kill e Babes in Toyland - fizeram participações em seu disco "Notorious" (94).

Outra que tentou seguir os passos gloriosos do Runaways foi Lita Ford. Intensificando o estereótipo de wild-girl, Lita conseguiu muito mais notoriedade pelos seus atributos físicos do que propriamente pela música. "Out for Blood" marcou o início de sua carreira solo, em 83.

Lita teve repercussão com "Dancing on the Edge" (84), "Lita (88), Stilleto" (90), mas as histórias envolvendo as gravações e sua vida particular sempre despertaram maior interesse. Os romances com rockstars, por exemplo, compõem um capítulo à parte em sua biografia. Além da união com o guitarrista do WASP, Chris Holmes, Lita namorou o guitarrista Tony Iommi, do Black Sabbath, e Nikki Sixxi, do Motley Crue.

Algumas de suas parcerias musicais também tornaram-se célebres. Quem não se comoveu com a melosa Close My Eyes Forever, gravada ao lado do madman Ozzy Osbourne no final dos anos 80? O hit chegou ao topo das paradas e deu uma guinada na carreira da dupla.

A música Dangerous Curves, composta por Sammy Hagar para homenageá-la, acabou nomeando um de seus álbuns, lançado em 91. Vez por outra, Lita ressurge, mas sem o mesmo brilho do passado. Casada com o ex-vocalista do Nitro, Jim Gillette desde 94, ela curte o primeiro filho, nascido há dois anos, enquanto adia os planos de retorno ao showbusiness.

Mas o vanguardismo das bandas femininas de heavy metal não é monopólio americano. No embalo da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) - que revelou gigantes como Iron Maiden, Judas Priest, Def Leppard, Venon e Saxon, surgidos na metade da década de 70 -, as inglesas também deram seu recado com competência e muita personalidade.

De uma despretensiosa banda de colégio, chamada Painted Lady, surge o Girscholl em 78. Di "Enid" Williams (baixo) e Kim McAuliffe (guitarra e vocais), Denise Duffort (bateria) e Kathy Valentine (guitarra) - posteriormente substituída por Kelly Johnson -, conseguiram aliar a fúria punk às bases de metal, revelando uma insuspeita qualidade instrumental, sem qualquer apelo sexual num universo repleto de posers.

O reconhecimento do público viria no ano seguinte, quando excursionaram com os "padrinhos" Motorhead. O disco "Demolition" foi gravado pela independente Bronze Records, a mesma de Lemmy Kilmister e sua trupe na época. Em 81, sai o álbum "Hit and Run" e as duas bandas lançam um EP juntas "The St. Valentine Day's Massacre".

Durante a turnê pelo Japão, acontece a segunda baixa: sai Enid e em seu lugar entra Gil Weston. Com os discos "Screaming Blue Murder" e "Play Dirty" elas atingem o ápice. O êxito não impede que Kelly abandone o posto e o grupo é oficialmente dissolvido em 84.

Dentro da cena britânica, as adolescentes da Rock Godess obtiveram algum respaldo do público até metade da década de 80. Formado pela baixista Tracy Lamb e pelas irmãs Jodie e Julie Turner, respectivamente guitarrista e baterista, o primeiro contrato do grupo só foi assinado em 83, quase cinco anos após a formação.

Os anos 80 foram mais frutíferos para as bandas femininas e muitas pegaram carona na onda glam do Hard Rock. Com um som explicitamente comercial e muita maquiagem, o Vixen vendeu milhões com seu disco de estréia, em 88. Janet Gardner (vocais), Jan Kuehnemund (guitarra), Share Pedersen (baixo) e Roxy Petrucci (bateria) não conseguiram repetir o feito com "Ver It Up" (90) e "Tangerine" (98).

Sob a produção de Marty Friedman, que logo em seguida entraria no Megadeth, a garotas do Phantom Blue lançaram o primeiro disco em 89. Composto pela vocalista Gigi Hangach, a baterista Linda McDonald, a baixista Kim Nielsen e as guitarristas Michele Meldrum e Nicole Couch, o trabalho seguinte, "Built to Perform", foi prensado com atraso e só chegou às lojas em 93. Logo após, Nielsen foi substituída por Rana Ross.

As mulheres que construíram carreiras de maior longevidade são justamente as que optaram por posturas mais pop. É o que comprova o Blondie, liderado pela cantora Deborah (Debbie) Harry, que vendeu mais de 40 milhões de álbuns em todo o mundo. A turnê "No Exit", iniciada em 99, marca o retorno da banda aos palcos depois de 16 anos de silêncio.

Já o Heart, das irmãs Ann e Nancy Wilson, sempre privilegiou a parte instrumental das composições. O primeiro LP, "Dreamboat Annie" (76) trazia uma mistura de folk e hard rock, com destaque para os singles Crazy On You e Magic Man. O auge veio com "Bad Animal" (87). Tentando adaptar-se aos novos tempos, a dupla retomou suas raízes em Seattle (EUA).

A influência grunge é nítida em "Desire Walks On" (93), cuja faixa Lovemongers foi incluída na trilha do filme Singles, dirigido por Cameron Crowe. O baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones, se encarregou da produção do acústico "The Road Home".

Uma das poucas remanescentes da linha Hard Rock, a alemã Doro Pesch alia beleza, carisma e talento ao profissionalismo da banda que a acompanha. Depois de algum sucesso nos Estados Unidos no início dos anos 90 como Warlock, a banda mudou o nome para Doro e segue em shows pela Europa.

Representantes brazucas

Falta de apoio das gravadoras, de público e de espaços decentes para tocar são só alguns dos entraves mais correntes encontrados pelas bandas femininas no Brasil. Das que conseguiram destaque no início dos anos 90, poucas avançaram além do circuito alternativo.

Um dos ícones femininos dessa época, a ex-guitarrista do P.U.S., Syang, optou por uma carreira solo em seu álbum solo, lançado recentemente. O carro-chefe é a faixa "Olha pra Mim", um popzinho rasgado e ingênuo oposto ao death metal que projetou sua banda original. No início da década, os brasilienses do P.U.S. foram um dos priemiros a aliar o peso instrumental do rock e os vocais guturais ao jazz e às características regionalistas.

Também da capital federal, o Volkana talvez seja o grupo de maior representatividade do movimento, angariando muitos fãs no underground paulistano. Uma de suas líderes, Selminha, tranferiu-se para os Estados Unidos e divide os vocais e as guitarras com Gary Hood, no Undermine.

Seguindo a mesma linha de Slayer e Exodus, as garotas do Flammea acrescentaram citações de ópera e música erudita em seu som, incluindo até intervenções de gaita no começo. A originalidade de Ana Lima, Sueli Mazuco, Vânia Parma, Roberta Jocoto e Neila Abrahão, contudo, não impediu que a banda caísse no ostracismo.

Entre as mais melódicas, está o Silent Cry, que alterna urros do guitarrista Dilpho Castro à melancólica interpretação de Suelly Ribeiro, criando climas de doom e gotic metal, como comprova o CD "Remembrance", com claras influências de Amorphis e My Dying Bride. Resta saber se, ao contrário das antecessoras, conseguirão transpor a falta de estrutura.

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