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Jacytan Melo Produções_Atrações Exclusivas_2013/2014

domingo, 15 de julho de 2012

O artista e sua autonomia


Em junho de 2009, tive a oportunidade de participar de duas palestras pelo Porto Musical, com o pianista paulistano Benjamim Taubkin “Panorama latino-americano – visões da música no continente hoje”, pela manhã e “A experiência da busca por autonomia no Brasil – caminhos possíveis para não criar dependência total de editais e patrocínios”, pela tarde. 

Ainda não conhecia o Benjamim. O que me fez ir à busca de mais informações sobre ele, foi à profundidade dos dois assuntos abordados naquele dia, marcado pela pouca frequência de ouvintes com temas tão importantes. Benjamim é pianista, ainda na adolescência organizava concertos. Foi coordenador do Projeto Música no Parque, no Bosque do Morumbi, na capital paulista. Por esse projeto passaram nomes conhecidos do cenário musical instrumental, como Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti, e outros populares como Adoniram Barbosa e Moreira da Silva. Entre 1975 a 1977 Benjamim ocupou a cadeira Secretaria Estadual de Cultura, do governo de São Paulo.

Em 1994, o pianista recebeu um convite para atuar em diversos projetos, organizando inclusive o Seminário de Produção Musical Independente, em São Paulo. Como músico Benjamim passou a exercer uma espécie de rebeldia. Quando o convidavam para tocar ele questionava todo o processo de produção. Para ele sempre havia algo errado na relação entre músicos e fomentadores da cultura.

Benjamim sempre foi um otimista ao encarar sua profissão. Quando as pessoas lhe diziam que não dava para viver de música instrumental, ele mostrava o contrário, a prova foi o lançamento do selo Núcleo Contemporâneo, completamente independente do apoio de editais ou patrocínio. Benjamim se acostumou a levar pessoalmente os CDs nas lojas e negociar com os vendedores.

Benjamim Taubkin não faz julgamento de quem recorre a editais. Porém ele enxerga negativamente os frutos da estrutura de fomento adotada nos últimos anos. Ele afirma que o mercado da cultura perdeu força com os editais. Ele acha que o sistema deveria priorizar difusão e circulação, pois da forma em que se encontra, o mercado é fragilizado e marginaliza o público.

Benjamim tem outros pontos de vista mais fortes. Ele acha que é preciso acabar com o famoso jabá. Ele diz que uma política pública efetiva deve ser capaz disso. Benjamim acha que é importante se pensar em outros esquemas de produção, como políticas de financiamento, de concessão de crédito. É importante que o músico possa viver do que faz, e que ganhe pelo trabalho que produz e não através de patrocinadores.