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Jacytan Melo Produções_Atrações Exclusivas_2013/2014

sábado, 29 de dezembro de 2012

Engana músico: conheça 9 maneiras

(Reprodução/Internet)

Muita gente acha que vida de músico é fácil, mas poucos sabem das dificuldades que um profissional da área encontra na hora de fechar um trabalho.

Um dos principais problemas que o músico encontra é a ridícula desvalorização do trabalho, pelo simples fato de todo mundo achar que qualquer um pode se submeter a tocar por qualquer preço e por conta disso inúmeras desculpas são dadas, no momento da negociação do valor ou mesmo no momento do pagamento de um trabalho.

Se você também anda cansado com essa falta de respeito, confira como lidar com as 9 desculpas mais esfarrapadas do mercado.

1) “Faça essa apresentação bem baratinha (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor” Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde. Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza ele iria achar graça.

2) “Nós nunca pagamos 1 centavo antes de terminar uma apresentação”
Essa é uma pegadinha. A partir do momento que você foi contratado para fazer uma apresentação você DEVE pedir uma entrada. O motivo é simples, você está trabalhando desde o momento que se dispõe a fazer a reunião com o cliente.

3) “Essa apresentação vai ser ótimo para seu portfólio! Depois desse você vai conseguir muitas outras apresentações”
Essa é uma das mais típicas. E costuma fazer vítimas principalmente entre jovens que ainda estão no início de carreira musical. Para não cair nessa, basta pensar “quanto o seu cliente vai faturar com o seu trabalho?”. Além disso, não esqueça que, mesmo que ele indique seu trabalho para outras pessoas ou empresas, com certeza ele dirá quanto custou (ou se foi de graça) e imagine o que os próximos irão querer?

4) Olhando para suas demos ou CDs caseiros sem registros: Veja, não temos muita certeza se queremos seu trabalho. Deixe essas músicas comigo e vou falar com meu sócio/investidor/mulher, etc e depois te dou uma resposta
Conheço casos de o músico escutar em algum lugar gravações com arranjos parecidos com os dele e não pode fazer nada.

5) “Veja, a temporada na casa não foi cancelada, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois, aí acertaremos tudo”
Provavelmente não. Seria um erro você não faturar as apresentações que foram feitas até o momento esperando que o trabalho continue depois. Ligue em dois meses e você verá que alguém estará trabalhando no seu lugar. E adivinhe! Eles nem ao menos sabem quem você é… e o dinheiro do início do trabalho, lógico, já era!

6) “CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?”
Sim, estamos. Até que alguma coisa dê errada ou ocorra um mal-entendido, e você se transforme no meu maior inimigo e eu sou o seu “músico estúpido”, aí o contrato é essencial! Simples assim! Ao menos que você não ligue em não ser pago. Qualquer profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e você deve fazê-lo também!

7 ) “O último músico que contratamos fez essa apresentação por R$ XX”
Isso é irrelevante. Se o último músico era tão bom por que ele te chamou? E quanto o outro cobrava não significa nada pra você. Pessoas que cobram muito pouco pelo seu tempo acabam fadadas ao insucesso (por auto-destruição financeira). Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.

8) “Nosso orçamento para músicos é de XX reais”
Interessante, não? Um cara sai para comprar um carro e sabe exatamente quanto ele vai gastar antes mesmo de fazer uma pesquisa. Uma quantia de trabalho custa uma quantia de dinheiro. Se seu cliente tem menos dinheiro e ainda assim você quer pegar o trabalho, dedique menos horas a ele. Deixe isso bem claro ao seu cliente, que você dedicará menos tempo que o estimado para finalizar o trabalho porque ele não pode pagar por mais horas. A escolha é sua.

9) “Estamos com problemas financeiros. Faça essa apresentação para nós e, quando estivermos em melhor situação, te pagamos.”
Claro, mas pode contar que, quando o dinheiro chegar, você estará bem lá no final da lista de pagamentos. Se alguém chega ao ponto de admitir que está com problemas financeiros então provavelmente o problema é bem maior do que parece. Além disso, você por acaso é um banco para fazer empréstimos? Se você quer arriscar, pelo menos peça dinheiro adicional pelo tempo de espera. Um banco faz isso, não faz? Por que provavelmente esse é o motivo deles quererem atrasar seu pagamento, ter 6 meses de dinheiro “emprestado” sem ter que pagar juros, o que não aconteceria se ele tivesse que emprestar do banco. Não jogue dinheiro fora!

Bom, o motivo de tudo isso não é deixar você paranóico ou coisa parecida, mas sim injetar um pouco de realidade no mundo de fantasia da maioria dos músicos. Você certamente vai tratar com pessoas muito diferentes de você. As motivações e atitudes certamente são diferentes. Eu infelizmente vejo, muitas vezes, exemplos de pessoas envolvidas em situações com a mais nobre das intenções e acabam literalmente se dando mal. Porque a maioria dos músicos enxergam os trabalhos como uma oportunidade de fazer aquilo que mais gostam com dedicação, simplesmente porque amam o que fazem! A outra parte não tem a negociação tão idealizada ou romantizada, muito pelo contrário.

Como lidar com todas essas coisas e ainda assim fazer um trabalho criativo? Boa pergunta! É por isso que ir atrás da informação é importante. Você aprende a trabalhar com todas as técnicas do seu instrumento, mas não aprende a arte da negociação. Muitos músicos ignoram este aprendizado, o que é um grande erro. Sugiro que o mínimo seja incorporado assim certamente você não sentirá seu trabalho como uma grande perda de tempo e dinheiro!

Fonte: DIFUSOR (com adaptações)