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Jacytan Melo Produções_Atrações Exclusivas_2013/2014

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Administração dos recursos da área da cultura no Recife, um descompassado


Um artigo publicado pela jornalista Luce Pereira, na coluna Diário Urbano, do Diário de Pernambuco, no dia (domingo) 15 de dezembro de 2013, faz-nos refletir sobre a atual política cultural em nosso estado. Eis a matéria na íntegra tem como título "Quem quer banana?:

por jornalista Luce Pereira

O capítulo cachês sempre foi uma vergonha à parte na forma como o poder público administra os recursos da área da Cultura. Isso graças ao famigerado mecanismo de dispensa de licitação, que enquanto permite fundações fazer pagamentos sem o incômodo de passar por crivos, estabelece critérios que só Deus duvida
para a escolha das atrações. Cada gestor tem os seus e eles geralmente variam de acordo com o nível de
empatia, amizade ou interesse que envolve contratante e contratado, muitas e muitas vezes em detrimento da qualidade. Tanto a Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) quanto a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), viveram se notabilizando, nos últimos anos, pela generosidade com que remuneram estrelas e pretensas estrelas em eventos. Esta última, a Fundarpe, em especial. Nas redes sociais, o Fórum da Música aponta (depois de uma passadinha pelo Diário Oficial) cachês pagos por ela, injustificáveis pela realidade de mercado e por se tratar de artistas sem grande expressão na cena musical. Por apenas um show na Festa da Banana (São Vicente Férrer), no fim de novembro, Deniz Raz recebeu R$ 17.900,00; Ton Oliveira, R$ 25 mil; Zé Matuto do Forró, R$ 19 mil; e
Galeguinho de Gravatá, R$ 18 mil. Se os critérios usados para a contratação do quarteto fossem os mesmos aplicados na carnaval do Recife, Deniz, Ton, Zé Matuto e Galeguinho poderiam desbancar, por exemplo, gente do quilate de Mônica Salmaso, Nando Cordel, Daúde e Eduardo Dusek, que dispensam apresentações. Isto sem falar na miséria destinada a maracatus, orquestras e blocos, que não ultrapassa a
casa dos R$ mil - e ainda pagos sob protesto, como acontece quando a exploração praticamente se configura em "calote", caso do último carnaval da gestão João da Costa. Além da transparência, os
órgãos que executam as políticas culturais dessas casas deveriam ter gestores sensíveis, conhecedores das demandas da área (ao menos para não confundir a cultura com entretenimento) e, sobretudo, um Tribunal de Contas com enormes lentes de aumento sobre esses contratos, apesar de todos estarem protegidos pelo vergonho mecanismo da dispensa de licitação. Mas o caso de São Vicente Férrer já mostrou que não se pode alimentar muitas esperanças. A propósito, como dizia Chacrinha, quem quer banana?

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